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Dissertações

Uma Filosofia do 'Qualquer': a gênese da primeira teoria da denotação de Bertrand Russell.

Cléber de Souza Corrêa

Dissertação
Autor
Cléber de Souza Corrêa
Orientador(a)
Paulo Francisco Estrella Faria
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2010
2010Cléber de Souza Corrêa. Uma Filosofia do 'Qualquer': a gênese da primeira teoria da denotação de Bertrand Russell.. 2010. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Paulo Francisco Estrella Faria.1

Esta disserta.cao tem um duplo objetivo. O primeiro deles { e o principal { .e a.tentativa de veri.car uma hip.otese acerca das razoes de Bertrand Russell para conceber a.sua primeira teoria da denota.cao, apresentada em The Principles of Mathematics (PoM)..A teoria da denota.cao .e uma explica.cao excepcional (no contexto da sem^antica de Russell).do signi.cado de expressoes denotativas da linguagem natural, expressoes constitu..das por.alguma das seguintes seis palavras: \todo"""", \qualquer"""", \cada"""", \algum"""", \um""""e \o""""(ou suas.declina.coes). Trata-se de apresentar a teoria de Russell como solu.cao para um problema,.e a hip.otese que proponho .e uma segundo a qual esse problema deriva da conjun.cao de.tr^es teses que Russell sustentava .a .epoca da publica.cao de PoM. Argumento que as ideias.de Russell acerca da rela.cao entre as expressoes da linguagem natural e aquilo que lhes.confere signi.cado, da natureza dos constituintes do mundo e da rela.cao entre mente e.mundo no intercurso epist^emico formam um conjunto incompat..vel com a constata.cao.trivial de que senten.cas da linguagem natural que cont^em expressoes denotativas sao.intelig..veis. As ideias de Russell aludidas acima implicam que a inteligibilidade de uma.expressao denotativa { e, de modo geral, de qualquer menor item semanticamente ativo de.uma senten.ca da linguagem natural { requer a satisfa.cao de duas condi.coes: a exist^encia.de uma entidade no mundo que tal expressao representa e o v..nculo epist^emico de contato.entre o sujeito e tal entidade. A satisfa.cao dessa dupla condi.cao acarreta que, ao apreender.o signifcado de uma expressao denotativa como, por exemplo, \todos os homens"""", eu estou.em contato com todos os homens, o que, evidentemente, .e imposs..vel. Se o contato com.aquilo que .e o signi.cado de um certo n.umero de expressoes denotativas .e imposs..vel.(como no caso anterior), h.a que se postular um elemento sem^antico que nao aquelas.entidades no mundo, de modo que a inteligibilidade de tais expressoes seja preservada. A.teoria da denota.cao .e esse postulado, e o elemento que medeia o v..nculo entre a expressao.denotativa e os objetos no mundo .e o conceito denotativo..Pretendo tamb.em demonstrar que as ideias de Russell que conduzem ao problema.acima noticiado sobrevivem ao abandono da teoria da denota.cao. Se .e verdade que, a.partir da publica.cao de On Denoting (OD), Russell adota uma perspectiva mais \descon-..ada""""acerca da transpar^encia sem^antica da linguagem natural { o que implica a recusa.da an.alise proposta em PoM, onde expressoes denotativas sao expressoes .as quais se pode.legitimamente atribuir signi.cado isoladamente {, tamb.em .e verdade que Russell (i) continuar..a a pensar no funcionamento de linguagens logicamente mais n..tidas .a maneira antiga,.segundo a qual o signi.cado das expressoes dessas linguagens reduz-se, em .ultima an.alise,..a satisfa.cao das duas condi.coes mencionadas no par.agrafo anterior; (ii) permanecer.a concebendo.os constituintes do mundo, que conferem signi.cado .as expressoes da linguagem,.como entidades objetivas, no sentido de nao serem constitu..das pela atividade mental; e.(iii) que continuar.a dentro de uma perspectiva epistemol.ogica segundo a qual o v..nculo.epist^emico entre sujeito e mundo .e de contato ou direto, isto .e, nao-mediado por ideias.ou representa.c~oes.

Palavras-chave: