Ver um sonho - Recorte do mesmo tema: na antigüidade, em Platão, em Freud.
Dayse Stóklos Malucelli
- Autor
- Dayse Stóklos Malucelli
- Orientador(a)
- Jeanne Marie Gagnebin De Bons
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Esta dissertação pretende trabalhar norteando-se por um levantamento, ou mesmo um rastreamento, de alguns diálogos de Platão sobre as concepções deste filósofo em relação ao sonho da noite, ou seja, o processo onírico. Nesta pesquisa ficou evidenciado, a partir dos principais comentadores estudados, que Platão rompe com a tradição grega a propósito dessa questão e amplia genialmente a teorização dos sonhos, até então tomada tão estreitamente. O esforço de distensão do conceito do sonhar fica claro nas diversas abordagens de Platão, conforme ele vai pensando o sonho: aspectos descritivos, psicológicos, fisiológicos e metafísicos. Vários excertos dos diálogos são citados no intuito de ilustrar o argumento de Platão. Mas, na realidade, o pano de fundo dessa pesquisa foi a comemoração dos 100 anos da publicação da Interpretação dos sonhos (Traumteudung) no ano 2000, bem como as comemorações e efemérides que por conta disso tiveram lugar e tempo, já em 1999. Há também uma tentativa, embora tímida, de articular o pensamento platônico e o freudiano, mas sempre com o cuidado em não forçar nenhum tipo de identificação, mas sim de mostrar o apoio que significou Platão para Freud, especialmente na concepção da reminiscência (ou anamnese), tão cara à psicanálise, e ao conceito de Eros, que permitiu Freud ampliar o conceito de libido. Ao longo da pesquisa foi inevitável voltar-me para o texto-mor da Antigüidade sobre os sonhos: A Chave dos Sonhos, de Artemidoro, e o comentário de Foucault, na História da Sexualidade.
