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Dissertações

VIDA E CONHECIMENTO DA VIDA EM HENRI BERGSON

Bruno Batista Rates

Dissertação
Autor
Bruno Batista Rates
Orientador(a)
Débora Cristina Morato Pinto
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012Bruno Batista Rates. VIDA E CONHECIMENTO DA VIDA EM HENRI BERGSON. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, SP. Orientador(a): Débora Cristina Morato Pinto.2

A noção de vida ocupa um lugar todo especial na filosofia de Bergson. No entanto, longe de ser unívoca, a significação deste termo apresenta diferentes contornos ao longo de sua obra. Uma mudança decisiva no que concerne ao sentido deste conceito pode ser identificada na passagem que conduz O Ensaio sobre os dados imediatos da consciência a Matéria e memória. Mais especificamente, parece que Bergson propõe um “programa” filosófico revigorado a partir do último capítulo do livro de 1896 para, somente em 1907, radicalizá-lo de uma maneira ainda mais surpreendente. Se em um primeiro momento, ao procurar a todo custo separar o espaço da duração, o pensador francês reserva à dimensão biológica e empírica da vida um caráter quase que completamente “espacializante” e “pragmático”, em A evolução criadora esta mesma dimensão será pareada, em certo sentido, à própria idéia de duração, sobretudo devido ao advento de um controverso conceito, o elã vital. Mas o que leva Bergson a tal inflexão? Entendemos que o germe desta virada e os motivos que o levaram a engendrar tal mudança provêm de duas exigências, relacionadas entre si: a primeira, diretamente ligada à evidência das teorias evolucionistas (Spencer, Darwin e Lamarck, notadamente) e à respectiva necessidade de pensa-las em conformidade com a hipótese da duração; a segunda, mais específica, diz respeito ao movimento do pensamento bergsoniano, quer dizer, à coesão que confere unidade de sentido à sua própria filosofia, donde surgem algumas questões que gostaríamos de levantar. Ao estender a hipótese da duração à realidade material em Matéria e memória, não estaria Bergson forçado a amplificar seu entendimento acerca do orgânico e do inorgânico e, consequentemente, da própria vida? Mas como conferir, ao mesmo tempo, uma especificidade ao vivente, já que, de algum modo, ele passaria a “coincidir” com a matéria? Não se alocaria justamente aí o aspecto criativo da evolução, o elã vital? Como é possível pensar, no interior destas questões, a indiscernibilidade entre teoria do conhecimento e teoria da vida, tal como é proposta em A evolução criadora? É no entorno destes problemas que tentamos circunscrever nossa pesquisa.