- Autor
- DANILO ARNALDO BRISKIEVICZ
- Orientador(a)
- HELTON MACHADO ADVERSE
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Investigamos os conceitos de poder e violência em Hannah Arendt. Esse estudo permite-nos uma compreensão das experiências da modernidade e do nosso tempo presente, marcadas pela violência política, resultante muitas vezes, de um quadro de desvalorização da ação, advinda de uma matriz filosófica platônica que equacionou na antiguidade clássica mando e obediência. No primeiro capítulo, investigamos no livro Origens do totalitarismo a violência que aparece na política, especialmente no anti-semitismo, no imperialismo e no totalitarismo. A decadência da ação e o vácuo de poder ensejam o surgimento de um movimento nunca antes visto na política. Através da ideologia e do terror o totalitarismo procura o domínio total dos homens num sistema em que os estes se tornem supérfluos. É nesse sentido que iremos investigar a identificação entre poder e violência que pode ser estruturada e conservada num mundo composto por homens sem traços de espontaneidade. No capítulo II, discutimos a teoria da ação do livro A condição humana. A distinção conceitual entre violência e poder emerge mais rigorosa e mais explícita. É uma resposta à superfluidade da ação identificada na modernidade, especialmente com os regimes totalitários. No capítulo III, estudamos a violência e o poder aparecidos indissociados na modernidade, a partir do ensaio Sobre a violência. Arendt critica a ciência moderna e a noção de progresso ilimitado da humanidade, o marxismo que afirma a necessidade da violência na política e a tradição filosófica. A violência é desqualificada de sua centralidade política até mesmo na sua teoria da revolução presente no livro Sobre a revolução. Nele, Arendt desvincula violência e poder, mostrando que o fundamento da política é a constituição da liberdade. Aprofundamos a desvinculação entre poder, violência e a revolução que é um fenômeno típico da modernidade. Em todos os capítulos, nosso estudo nos conduz à conceituação do poder e da violência.
