Voltaire filósofo: metafísica e filosofia inglesa na formação filosófica de Voltaire
RODRIGO BRANDÃO
- Autor
- RODRIGO BRANDÃO
- Orientador(a)
- MARIA DAS GRAÇAS DE SOUZA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
A presente dissertação esforça-se por compreender a formação filosófica de Voltaire a partir do contato com a filosofia inglesa. As aproximações e distanciamentos em relação ao sensualismo de Locke, à física e à metafísica newtoniana e ao otimismo filosófico de Pope marcam o período de Cirey e são o objeto do presente estudo. Voltaire encontra na filosofia inglesa o arsenal teórico para combater os """"romances"""" da filosofia do continente, Descartes, Leibniz e Pascal, mas seu pensamento não pode ser identificado completamente com aquela. Com efeito, Voltaire muitas vezes se distancia de suas fontes filosóficas e, ao fim de seus textos, o que se encontra é muito diferente daquilo de que se partiu. Todas as influências são filtradas; a filosofia inglesa, sob a pena de Voltaire, torna-se um tanto distinta daquilo que pode ser encontrado no Ensaio sobre o Entendimento Humano de Locke, nos Principia de Newton ou no Ensaio sobre o Homem de Pope. O que caracteriza o pensamento de Voltaire no período de sua formação filosófica é uma tensão entre a visão divina e a humana, entre o lugar do homem no mundo e a harmonia do universo, entre a aceitação do otimismo filosófico de Pope e o reconhecimento da presença do mal no mundo.
