- Autor
- DIOGO DE FRANÇA GURGEL
- Orientador(a)
- RICARDO JOSÉ CORRÊA BARBOSA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
O trabalho que se segue tem por fim evidenciar e solucionar certas dificuldades a que fica exposto o argumento da linguagem privada, apresentado em obras da chamada segunda fase do pensamento de Wittgenstein, uma vez que se demonstra a fundação necessária desse argumento na tese de que o aprendizado da linguagem tem por base práticas de treinamento. Ao explicar como é possível que nosso vocabulário psicológico tenha efetivamente sentido em nossa linguagem, Wittgenstein critica a idéia de que palavras como """"dor"""" e """"frio"""" adquirem seu significado por atos de introspecção e afirma que a concepção de que a linguagem funciona de modo meramente descritivo é decorrente de uma série de equívocos filosóficos. Seguindo essa linha de argumentação, Wittgenstein apresenta a tese de que as técnicas de emprego de nosso vocabulário psicológico teriam por base certos treinamentos em que aprendemos a substituir comportamentos pré-linguísticos por comportamentos lingüísticos, com, por exemplo, a substituição do grito pela enunciação de sentenças como """"Eu tenhodor"""". A hipótese que defendo na presente pesquisa é de que tal tese – que denomino """"tese do uso expressivo da linguagem"""" – talvez possa ser suficiente para explicar a gramática de palavras como """"dor"""" e """"frio"""", mas não o é para explicar a gramática de palavras cujos significados não remontam a nenhum comportamento peculiar. Esse é o caso da palavra""""consciência"""", um claro exemplo de expressão amplamente empregada na linguagem corrente e também muito cara aos estudos tradicionais de epistemologia e metafísica que não pode ter seu aprendizado explicado pelos argumentos apresentados por Wittgenstein nas Investigações Filosóficas. Tendo exposto a dificuldade e demonstrado que sua solução não pode ser encontrada na obra citada, procuro resolvê-la com base na última obra de Wittgenstein, o Sobre a Certeza, onde estão expostas idéias até então inéditas acerca do caráter indubitável de certas proposições em determinados jogos de linguagem e da possibilidade de enunciação de regras.
